sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Imagem: Pedro Nogueira Rocha

Confidência 

                                                                                                            Elly Ramos
Quando você me desnuda com palavras, das quais nenhum outro ousou me dizer, sinto a carne fraquejar e desvio o sentido. Eu que sempre fui romântica, avessa às “liturgias” do querer, dá-me medo e ao mesmo tempo despertam fantasias que internalizei por algum capricho, pudores que a mim puseram... Penso na modelo e no fotógrafo nus, ele a captar a beleza, a sensualidade, a alma... e ela se vê nos olhos dele. Mas será que é só um sentir fisicamente? Será? Não. Você, o único eleito a ser o meu amor platônico, não espero envolvimento de sua parte, seria puerilidade demais. Preciso dizer que não seria eu, jamais, a O de René, nem a Jude, talvez, a Virgínia do Machado de Assis.

Caetano Veloso

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Parni Valjak - Sve jos mirise na nju


Do not ask me anything tonight let me keep quiet
I need peace tonight
Old wounds again bake my battles continue to flow, honey
You do not have nothing to do with

With the source of your my soul drunk
Thirsty your age
And now hung asks where utjehaSve Paint it Black
Aus dem Album: nicht angegeben [Album hinzufügen]

Do not ask me anything tonight let me keep quiet
I need peace tonight
Old wounds again bake my battles continue to flow, honey
You do not have nothing to do with

With the source of your my soul drunk
Thirsty your age
And now hung asks where comfort
Where is the missing youth

The days I follow, sometimes until you drop
Duso asking oblivion
Please hours to return to trace her walk
Quiet as it's there

All Paint it, and the day, and the morning was to come
After this night, the night without sleep
And two hundred years to count them in solitude
Ever since she left.

In my veins still has its poison
It is still too strong a dose
And I love you, do not go crazy
forget ...


quinta-feira, 1 de agosto de 2013




Quando tornar a vir a Primavera
Talvez já não me encontre no mundo.
Gostava agora de poder julgar que a Primavera é gente
Para poder supor que ela choraria,
Vendo que perdera o seu único amigo.
Mas a Primavera nem sequer é uma cousa:
É uma maneira de dizer.
Nem mesmo as flores tornam, ou as folhas verdes.
Há novas flores, novas folhas verdes.
Há outros dias suaves.
Nada torna, nada se repete, porque tudo é real.”

 (Alberto Caeiro)

Instantes
                                                                                                                                               Elly Ramos


De certa distância, lá estava esticada sobre o capô do velho automóvel, parado propositadamente à beira-mar, olhou preguiçosa para as ondas que batiam e voltavam a trazer suaves espumas, olhou para o senhor e duas crianças a brincar sorridentes, felizes. Fechou os olhos, largou os braços em direção à cabeça e deixou-os deslizar, dementes, a quase ficar pendurados para fora do capô vermelho e as pernas acompanhavam os movimentos, largadas ficaram totalmente feito pêndulo. Ainda com as pálpebras fechadas, movimentou a cabeça de modo indubitável, esqueceu-se de sua própria presença, entregou-se ao nada e já não sentia seus membros, era como se fosse um balão, ou uma boneca inflável e sem ar, talvez. Permaneceu assim: ao nada, sem ser nada, até uma pena de pássaro pesaria mais do que aquele corpo inerte. Ah, e se alguém a olhasse só veria, apenas, os movimentos indescritíveis das finíssimas penugens do seu copo que o vento ousava acaricia-las com o sopro frio do fim de verão, mas quem teria este olhar tão miraculoso? Não interessa, na certa seria o olhar invisível, magnífico. E, o nada se tornou escuro, escuro e escuro. Transcendeu os mundos, perduraram alguns minutos... sem sentido. Não percebeu o céu nublado, nem a pipa que o ventos rasgara no espaço, nem mesmo as gotículas miúda que chovia e molhava seu corpo imóvel, mas uma voz, uma voz ativa e amável de uma criança a trouxera à beira-mar.