segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Amor Maligno 
Certo dia , Sophia andava pela rua sem destino, nesse dia ela acordou feliz, animada, destinada a fazer o bem distribuindo sorrisos, mas o que ela não imaginava era que ia ser salva na calçada por onde caminhava por um homem sombrio. A partir daquele momento ela se viu perdida naqueles negros olhos surreais, as mãos do rapaz a segurava cuidadosamente, e naqueles milésimos de segundo ela examinou seu herói, o rapaz vestia completamente de preto, usava boné e casacos, cobria boa parte do seu musculoso corpo e isso a deixo ao mesmo tempo curiosa e apavorada. Após acordar de sua breve distração ela se viu sozinha no meio da rua, e ficou se perguntando o que havia acontecido, seria parte do real ou imaginário? Por um momento ela agradeceu por aquela criatura tenha desaparecido, mas sua teimosia a fez ir atras do seu paradeiro para agradecer, afinal de contas se não tivesse sido derrubada ela seria atingida por uma faca que caiu do prédio inexplicavelmente.
Passados os dias , saindo a noite com as amigas , Sophia passou pelo mesmo local onde um dia foi derrubada pelo sombrio homem, que nunca esqueceu, e deu de cara com ele, completamente bêbada ela correu atrás dele, nesse exato momento ela foi atropelada indo a óbito e seu espírito assustadoramente saiu do corpo e encontrou o homem que lhe disse :
Olá meu nome é Jason, eu sou seu anjo da morte, fui designado a lhe matar, por isso venho observando-a a um bom tempo, estou perdidamente apaixonado por você por isso provoquei sua morte antes do tempo, para estar mais próximo de você ...
Nesse momento Sophia acordou de seu sono profundo e tomou uma decisão, se jogou do ultimo andar do seu prédio, a procura de Jason, o seu amor maligno.


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Meu Lindo Mundo


Milena Nogueira

Hoje peguei-me pensando, pensando nas coisas que me rodeiam, o quanto são importantes e que nunca havia realizado. Lembrei-me da cena presenciada hoje, que triste cena, me pergunto hoje o por que de nunca ter enxergado fatos assim e me entristecido muito com tudo isso.
 Ver como é fora do meu mundinho de dores supérfluas, tristezas passageiras, me faz querer chorar, chorar não com as lágrimas que ontem derramei lágrimas sem propósitos, mas sim lágrimas atentas a realidade.
 Quero me fazer acreditar que o ocorrido foi um sonho, na verdade, um triste pesadelo que nunca iria acontecer. Acabou me debulhando em um rio de lágrimas ao perceber que esta é a realidade da vida e que causa pesadelos como esse.
 Por isso não cesso meus prantos, prantos esse que diminuem minha culpa o que eu realmente precisava.

 Quando as lágrimas que meus olhos derramaram acabaram com minha culpa novamente passeia viver no meu belo mundo de felicidade em que eu governava.

COMUM DE DOIS

Tauan Carvalho
E lá estava ele, parado em pé, deparando-se com o seu caos particular, sua cria desde sempre, desde que se entende por gente. Estava cara a cara com o artefato que considerava o pior objeto de tortura: o espelho. Com ele observava todos os detalhes do seu corpo, que configuravam-se para ele como imperfeições. Sentia-se como um estranho no universo, um intruso na redoma, uma ovelha negra, enfim, uma merda. Sentia-se estagnado em relação ao seu futuro, sem saber para onde ir, perdido em si, confuso nos seus pensamentos, desejando para aquilo tudo um fim e tudo isso, todo esse temporal de loucuras e idéias que vão do céu ao inferno em questão de minutos.
Era apenas uma luta entre ele e o seu maior inimigo: ele mesmo. Não se sentia dono de si, possuidor do próprio corpo, tinha consciência de que aquele ser não era ele, era apenas uma idealização de uma parte de uma família perfeita, de um ser perfeito em todos os sentidos possíveis e imagináveis. Queria revelar seu verdadeiro eu, expor toda a sua verdade para o mundo, ser verídico e sincero tanto para si quanto para os outros. Só queria se recriar, fantasiar que ele poderia ser o que quisesse. Em um piscar de olhos, gritos, silêncio, terror, medo e coragem, tomou um fim para si. Despiu-se do pudor, se travestiu e fugiu daquele lugar, daquele espaço de tempo, enfim, fugiu dali.
Adornou-se, enfeitou-se com vestido, salto alto, batom, e foi para o acaso na urbe das maravilhas profanas. Tirou a capa da covardia banal e vestiu-se da armadura de guerreiro, amazona da sua vida. Transformou-se no seu melhor devaneio. Arriscou-se sem medos, nem freios. Pegou o primeiro vagão para o infinito e foi sem se importar com o que deixou para trás, desceu do trem, saiu da estação e entrou na primeira balada que avistou. Com toda a sua lingerie, perfume e rouge, não queria afrontar, apenas se divertir sem arrependimentos, apenas amor para dar e receber.
Entrou na discoteca, se entregou à dança dos achados e perdidos daquela vil cidade. Tornou-se alvo de vários olhares: alguns 43, outros de frigidez, quase todos de estranhamento. Ele sabia e deixava passar, fazia a “egípcia” para eles, só desejava se doar como sacrifício ao desconhecido. Entregou-se aos seus paraísos artificiais, sonhos acordados, beijos de instantâneos amados, manifestações loucas, cortejou a insanidade, osculou a sua ilusão. O salto doía, porém sorria e lembrava que machucava que tinha que omitir. Degustava o prazer e dor de se vestir como mulher. Livre, leve, solto, com seu instinto selvagem amparando o motim.
Enfim saiu da balada, tinha o ímpeto de rolar pela noite sem traços jogando-se no abismo do nosso acaso. Andava feliz pelas ruas iluminadas pelos faróis e outdoors cadentes da urbe das maravilhas profanas, bailando ao som da sua alegria sem medidas, sentiu-se uma pancada na parte posterior da sua cabeça. Iniciava assim a maior tortura real da vida daquele sonhador praticada por dois seres humanos que detestavam a felicidade alheia e não tinham a capacidade de encontrar o entendimento em tolerar a diversidade dos seres vivos e demonstravam assim o pior lado da raça humana, enquanto na mente daquele menino, que se travestiu a fim de ir atrás do final do arco-íris, afagar seu caos com uma dose de verdade em sua vida. Enquanto era espancado com aquelas grandes lâmpadas, recordava-se de tudo o que tinha vivenciado naquela dada noite, sorria como se estivesse satisfeito com todo o seu impulso e logo depois, após uma última pancada, essa que foi a mais forte e drástica, se entregou ás mãos da morte: era o seu fim.


Escreva um conto!


Beatriz Moreno

Certo dia, uma professora da disciplina de Comunicação Oral e Escrita, chamada Elielza, fez uma proposta para turma do curso de Vestuário. Ela queria que todos criassem um conto de tema livre. A classe inteira se animou e não paravam de conversar sobre o que iriam escrever.
Gustavo, um dos alunos, quis escrever sobre um pudim e, Samir, quis fazer um “conto gótico”. Logo, todos se afastaram um dos outros para começar a se concentrar. Porém, Beatriz, não tinha ideia do que iria escrever e então pensou:
“Talvez eu conte sobre minha história de vida... Mas é uma mesmice!”
“Se eu contar um sonho que eu tive, será que vão rir de mim?”
“Acho que vou fingir passar mal e sair da sala...”
Depois de um silêncio aterrorizante, alguns dos alunos começaram a soltar “spoilers” (uma prévia do que estaria escrevendo). Samir resolveu não fazer um “conto gótico”, Larissa e Aila não fizeram um conto sobre o príncipe do pop. Gustavo começou que estava fazendo uma fábula. E Beatriz continuava a pensar:
“A professora deve estar achando que somos loucos!”
“Samir, desliga o celular! Seja técnico!”
“Vou escrever sobre qualquer coisa que eu pensar em 3...2...1...”

- Terminaram?

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O BAILARINO

                                                                                                                                               



                                                                                                                                             Aila Santana

Tudo começou com uma proposta. Eu era novo na cidade e precisava de um emprego para me manter, afinal de contas, eu não tinha mais os meus pais para me sustentar a muito tempo, já que desde muito novo eu almejava minha a independência, sempre quis as minhas coisas, sempre quis fazer o que bem entendesse com o meu próprio dinheiro e hoje, aos 21 anos, eu consegui essa independência. Desde que sai da casa dos meus pais, eu morava de aluguel ali e aqui, mas sempre por perto da casa deles, só que dessa vez, resolvi ir mais longe, eu mudei de cidade e decidi dividir um apartamento com o meu amigo britânico, apartamento que ficava no centro de Londres, no bairro The City, onde existia um dos pontos turísticos mais lindos do mundo, na minha opinião, a Tower Bridge. Acontece que sempre fui muito independente, como já disse antes, e não queria viver às custas do meu amigo, que já tinha um emprego numa academia que ficava nas redondezas. Foi quando ele me propôs que eu trabalhasse na mesma academia que ele, sendo professor, o que foi perfeito já que amava a área e tinha formação nisso. Confesso que, apesar de estar amando a cidade, me sentia um pouco melancólico, sei lá, era apenas estranho, era como se faltasse algo, ainda mais quando amanhecia chovendo, aquela cidade parecia estar sempre nublada, o que, piorava o meu estado de angustia sem razão.
Até que eu comecei a trabalhar na academia, que era lindíssima por sinal, e lá, eu sentia como se eu esquecesse de todas as minhas paranoias inexplicáveis quando eu via ele dançar. “Quem é ele Ed?”, perguntei no meu primeiro dia de trabalho, completamente encantado ao meu amigo, enquanto eu via aquela criatura perfeita flutuar de forma suave e delicada pela sala de vidro em que dançava, ele era sem dúvidas a coisa mais preciosa que eu já tinha visto em toda a minha vida.
Dono de um par de esmeraldas preciosas, que certamente ele chamava de olhos, pele alva que me fazia fantasiar no quão macia deveria ser, cabelos da cor de ouro com cachinhos adoráveis, boca corada e um par de covinhas que lhe faziam ainda mais encantador, eu simplesmente não conseguia parar de olhar.
“Ah meu amigo... desiste. Só te digo isso, desiste.” Ed me disse dando duas tapinhas no meu ombro, me aconselhando. Eu o olhei meio confuso e perguntei: “Desistir? Porque eu faria isso? Eu nunca vi nada tão... tão... tão impecável como esse garoto. Quem é ele cara?” Insisti ficando ainda mais curioso. “Ele tem problemas, que além de machuca-lo, podem te machucar também, me escuta bem, não se envolve com ele...” Ele disse em tom paterno e eu voltei a olhar para ele, para o bailarino que parecia uma joia rara, a mais brilhante e reluzente de todas “O que uma pessoa como ele poderia fazer para me machucar? Olha só para ele... ele é incrível! Preciso falar com ele, preciso conhecer ele.” Falei sem sentir o sorriso instantaneamente bobo que habitava em meus lábios “Cara, não faz isso, ele já está no estágio final, não tem mais volta, ele está tentando disfarçar, mas decidiu lutar sozinho, você não é o primeiro que se encanta por ele, ele é realmente lindo, mas acredita em mim, você não vai conseguir mudar isso. Ele é perfeito, eu sei, todo mundo sabe, mas sei também de algo que não posso falar e sim, se você se envolver, você vai se machucar. Esquece ele!”.
Meu amigo disse tudo aquilo e saiu, me deixando ali com aquelas palavras na cabeça. Eu não entendi nada. Nada mesmo. Estágio final? Lutar sozinho? Como assim? Eu continuava a olhar o pequeno cacheado e sentir meu peito apertar com tudo, tudo mesmo, afinal de contas, coisa boa é que não deveria ser. Será que eu já estava envolvido? Em tão pouco tempo?
Passando-se algumas horas, a academia fechou e depois de dar uma desculpa qualquer para despistar o Ed, que foi para o apartamento, eu fiquei esperando o bailarino sair, assim, poderia segui-lo, poderia tentar uma conversa, ou sei lá o que eu poderia fazer, só queria ter algum contato com ele, eu precisava daquilo. Chovia muito, mas mesmo assim, o segui debaixo de chuva, ao ver ele deixar a academia. Eu só precisava de coragem para falar com ele, mas a verdade é que eu estava com um pouco de receio, Ed tinha me assustado. Quando finalmente tomei coragem e comecei a andar mais rápido para me aproximar dele, no meio da rua deserta, escura e molhada, o garoto, que aparentava ter 17 anos, simplesmente parou de andar. Eu parei também. O que ele ia fazer? Será que ele sentiu a minha presença ou alguma coisa do tipo? Resolvi me aproximar ainda mais, porem ele continuava parado. “Você está bem?” Quebrei o silencio ao ficar numa distância bem pequena com ele, que estava de costas para mim.
Nem uma palavra, ele não disse nada.
“Ei? Você está bem?” Insisti, erguendo minha mão e, receosamente tocando seu ombro gélido e molhado. E então aconteceu, foi como um flash, foi muito rápido mesmo, só pude ouvir o som de seu corpo pequeno e delicado ir de encontro ao chão encharcado antes mesmo que eu tentasse lhe segurar, assim que lhe toquei o ombro, o garoto foi ao chão. Quando me abaixei para tentar ajudar, para ver o que aconteceu, me veio a surpresa: ele estava simplesmente morto.
Não ouvi sua voz, não senti seu cheiro, não lhe toquei o rosto, não beijei-lhe os rosados lábios, só senti a dor de ver morrer alguém que eu daria tudo por conhecer. Agora o pequeno bailarino vai dançar nas nuvens, vai encantar os anjos, assim como me encantou, vai embelezar os céus e vai flutuar, literalmente. Eu só queria saber porque... O que tinha acontecido afinal?
“Tarde demais para não se envolver, verdade? O câncer o levou, eu sinto muito cara.” Ed me explicou tudo na manhã seguinte, quando soube do que tinha acontecido “Eu te disse para não se envolver”
“A gente não escolhe, nunca escolhemos e nunca vamos escolher. Só chega! Chega e vai na mesma rapidez de um piscar de olhos. É assim que perdemos tudo! A doença não mata, a insegurança é que mata” Disse com um suspiro e um sorriso tremulo nos lábios que jamais dançariam com os lábios do bailarino.



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