sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O Vadio




Ele conhecera dias mais felizes, apesar do estado de miséria e de doença em que agora se encontrava.
Na idade de quinze anos, ficara com as pernas esmagadas por uma carruagem, na estrada real de Varville. Desde então mendigou, arrastando-se ao longo dos caminhos, através dos pátios das quintas, balouçado nas muletas, que lhe tinham feito levantar os ombros à altura das orelhas. A sua cabeça dir-se-ia enterrada entre duas montanhas.
Enjeitado encontrado num fosso, pelo cura de Billette, na véspera do dia de Finados, e baptizado em razão disso, Nicolau Toussaint, educado por caridade, ficara estranho a todo e qualquer grau de instrução, estropiado depois de ter bebido alguns copos de aguardente oferecidos pelo padeiro da aldeia, para que ele fizesse rir, não tardou em dar em vagabundo, e mais nada sabia fazer do que estender a mão à caridade.
Outrora, a baronesa d'Avray concedia-lhe, para dormir, uma espécie de nicho cheio de palha, ao lado do galinheiro, na herdade que se ligava ao castelo: e ele ali estava ao abrigo, certo de, nos dias de grande fome, encontrar sempre um pedaço de pão e um copo de cidra na cozinha. Muitas vezes, recebia também alguns «sous» atirados pela velha senhora do alto da sua escadaria ou das janelas do seu quarto. Porem, ela morrera.
Nas aldeias, não lhe davam nada: conheciam-no por demais; estavam fartos de o ver; havia quarenta anos que o viam passear o deformado de seu corpo andrajoso sobre as suas duas patas de madeira.
Todavia, ele não queria deixar aqueles sítios, porque não conhecia outra coisa sobre a Terra a não ser aquele canto de país, aquelas três ou quatro aldeias onde arrastara a sua vida miserável.
Marcara fronteiras à sua mendicidade e não teria nunca passado os limites que se acostumara a não ultrapassar.
Ignorava se o mundo se estenderia ainda muito para além das árvores que sempre tinham servido de limite à sua vida. Nem sequer o perguntava a si próprio. E quando os camponeses, cansados de o encontrarem todos os dias à beira dos seus campos ou ao longo dos seus fossos, lhe gritavam:
- Porque não vais tu para as outras aldeias, em lugar de andares sempre a muletar por aqui? Ele não respondia, e afastava-se, tomado de um medo vago pelo desconhecido, de um medo de pobre que receia confusamente mil coisas, as novas caras, as injurias, os olhares de desconfiança e suspeita das pessoas que o não conheciam, e os gendarmes que vão dois a dois pelas estradas e que o faziam esconder, por instinto, nas moitas ou por detrás das pedras.
Quando os via de longe, reluzentes ao sol - encontrava de repente uma agilidade singular, uma agilidade de monstro, para alcançar qualquer esconderijo. Saltava nas muletas, e deixava-se cair à maneira de um trapo, rolando como uma bola, tornando-se pequenino, invisível, acaçapado como uma lebre na sua loca, confundindo os seus trapos russos com a terra.
Ele não tivera, no entanto, nada com eles. Mas aquilo estava-lhe na massa do sangue, como se houvesse recebido aquele temor e aquela manha dos seus ascendentes, que não conhecera.
Não tinha refugio, nem tecto, nem cabana, nem abrigo. Dormia por toda a parte, quer de verão quer de inverno, e introduzia-se nas granjas ou nos estábulos com uma ligeireza notável. E raspava-se sempre antes que houvessem dado pela sua presença. Conhecia os buracos para penetrar nas construções; e o manejar das muletas havia-lhe dado aos braços um vigor tão surpreendente, que trepava só à força de pulso até aos celeiros de forragens, onde se conservava quatro ou cinco dias sem bulir, quando havia recolhido no seu giro as provisões suficientes.
Vivia como os animais dos bosques no meio dos homens, sem conhecer ninguém, sem amar ninguém, não excitando aos camponeses mais que uma espécie de desprezo indiferente e de hostilidade resignada. Tinham-lhe posto a alcunha do «Sino» porque se baloiçava, entre as suas duas muletas de pau como um sino se baloiça entre os seus suportes.
Havia dois dias que não comia. Ninguém já lhe dava nada. Por fim, nem já o queriam ver. Os camponeses, dos seus portais, gritavam-lhe quando o viam chegar:
- Vê lá se te queres pôr a andar, tonante ! Ainda não ha três dias que te dei um bocado de pão!
E ele girava sobre as suas estacas e dirigia-se à casa vizinha, onde o recebiam da mesma maneira.
As mulheres declaravam de porta para porta:
- Mas é que a gente não pode dar de comer a este mandrião todo o ano.
Todavia, o mandrião tinha necessidade de comer todos os dias.
Tinha percorrido Saint-Hilaire, Varville e les Bocettes, sem recolher um cêntimo nem uma simples côdea. Só lhe restava uma esperança, era, Tournolles; mas era-lhe preciso caminhar ainda duas léguas pela estrada real, e sentia-se cansado a ponto de não poder arrastar-se mais, tendo o ventre tão vazio como a algibeira.
Apesar de tudo, pôs-se em marcha.
Era em Dezembro, um vento frio percorria os campos, sibilava nos ramos nus; e as nuvens galopavam através do céu baixo e sombrio, apressando-se não se sabe para onde. O estropiado caminhava lentamente, deslocando os seus suportes um após outro com penoso esforço, escorando-se na perna torcida que lhe restava, terminada por um pé aleijado e calçado por um trapo.
De tempos a tempos, assentava-se no fosso e descansava alguns minutos. A fome punha uma grande mágoa na sua alma confusa e pesada. Ele só tinha uma ideia: «comer», mas não sabia por que meio.
Durante três horas, penou na comprida estrada depois, quando avistou as arvores da aldeia, apressou os seus movimentos.
O primeiro lavrador que encontrou e ao qual pediu esmola, respondeu-lhe:
- Tu ainda por aqui ? velho marau!
Então eu nunca me verei livre de ti?
E o «Sino» afastou-se. De porta em porta, correram-no, recambiaram-no, sem lhe darem nada. E ele continuava, apesar disso, o seu giro, paciente e obstinado. Não recolheu um sou.
Então visitou as herdades, caminhando através das terras amolecidas pelas chuvas, por tal forma extenuado que nem sequer podia levantar as muletas. Escorraçavam-no de toda a parte. Era um desses dias frios e tristes em que os corações se fecham, em que os espíritos se irritam, em que a alma está sombria, em que a mão não se abre nem para dar nem para socorrer.
Quando acabou de visitar todas as casas que conhecia, foi cair ao canto de uma vala, ao longo do pátio do tio Chiquet. Despegou-se, como se dizia para exprimir a maneira porque se deixava cair de entre as muletas que fazia escorregar por debaixo dos braços. Ficou por largo tempo imóvel, torturado pela fome, mas era muito bruto para que pudesse penetrar a sua insondável miséria.
Esperava não se sabe o que, naquela vaga esperança que existe constante em nós.
Esperava ao canto daquele pátio, sob o vento gelado, o auxílio misterioso que se espera sempre do céu ou dos homens, sem que se saiba como, nem porque, nem por quem ele nos poderá chegar. Passava um bando de galinhas pretas, buscando a sua vida na terra que alimenta todos os seres. A cada instante, picavam com uma bicada um grão ou um insecto invisível, depois continuavam a sua busca lenta e segura.
O «Sino» olhava para elas sem pensar em nada; depois veio-lhe, mais ao ventre que propriamente à cabeça, mais à sensação que à ideia, que um daqueles animais seria bom para comer assado no borralho de uns troncos secos. A suposição de que ia cometer um roubo nem de leve roçou pelo seu espírito. Pegou numa pedra que se achava ao alcance da mão, e, como a tinha certeira, matou redondamente, atirando logo por terra a ave que estava mais próxima. O animal caíra de flanco, remexendo as asas. As outras fugiram, baloiçando-se nas suas patas delgadas, e o «Sino», escalando novamente as suas muletas, pôs-se em marcha para ir apanhar a sua caça, com movimentos iguais aos das galinhas.
Ao chegar perto do pequeno corpo preto manchado de vermelho na cabeça, recebeu um empurrão terrível pelas costas, que o fez cair das muletas e o fez rolar a dez passos para a frente.
E o tio Chiquet, exasperado, precipitando-se sobre o pilha, encheu-o de pancadas, batendo como um furioso, como bate um camponês roubado, com o punho e com o joelho por todo o corpo do enfermo, que não podia defender-se.
As pessoas da herdade chegaram por sua vez e puseram-se com o patrão a sovar o mendigo. Depois, quando se cansaram de lhe bater, agarraram nele, levaram-no e fecharam-no na casa da lenha, enquanto iam em cata dos gendarmes.
«Sino», meio morto, sangrando e estoirando de fome, ficou deitado no chão. Chegou a tarde, veio a noite, depois a aurora, e ele sem comer.
Pelo meio dia, os gendarmes apareceram e abriram a porta com precaução, esperando uma resistência, porque o tio Chiquet dizia ter sido atacado pelo vadio e ter-se defendido a grande custo.
O cabo bradou:
- Vamos! leva arriba!
Mas «Sino» não se podia mexer; ainda tentou içar-se nos seus suportes, mas não o conseguiu. Julgaram que era fingimento, que era manha, que era má vontade do malfeitor, e os dois homens armados trataram-no asperamente, empunharam-no e plantaram-no à força sobre as muletas.
O medo apossara-se dele, aquele medo inato que os desgraçados têm das correias militares, o medo da caça em presença do caçador, do rato diante do gato. E, com esforços sobre-humanos, lá conseguiu pôr-se em pé.
- Marche! disse o cabo. Ele marchou. Todo o pessoal da herdade o via partir. As mulheres mostravam-lhe o punho; os homens chacoteavam-no, injuriavam-no: tinham-lhe dado fim! Estavam livres.
Ele afastou-se entre os dois guardas. Achou a energia desesperada que lhe era precisa para se arrastar ainda até à noite, embrutecido, não sabendo nem sequer o que lhe sucedia, assustado por demais para que pudesse compreender.
As pessoas que o encontravam detinham-se para o ver passar, e os camponeses murmuravam:
- É algum ladrão!
Pela noitinha, chegaram à comarca. Ele nunca tinha ido até ali. Não dava verdadeiramente conta do que se passava nem do que lhe podia acontecer. Todas aquelas casas novas o consternavam.
Não pronunciou mais uma palavra, nada tendo a dizer, porque nada compreendia. Desde muitos anos que não falava a ninguém, por isso quase perdera o uso da linguagem; e o seu pensamento estava também muito confuso para poder formular palavras. Encerraram-no na prisão da vila. Os gendarmes não pensaram em que ele poderia ter vontade de comer, e deixaram-no até ao outro dia.
Mas, quando vieram para o interrogar, logo de manhãzinha, acharam-no morto, no chão.
Que surpresa!

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Imagem: Pedro Nogueira Rocha

Confidência 

                                                                                                            Elly Ramos
Quando você me desnuda com palavras, das quais nenhum outro ousou me dizer, sinto a carne fraquejar e desvio o sentido. Eu que sempre fui romântica, avessa às “liturgias” do querer, dá-me medo e ao mesmo tempo despertam fantasias que internalizei por algum capricho, pudores que a mim puseram... Penso na modelo e no fotógrafo nus, ele a captar a beleza, a sensualidade, a alma... e ela se vê nos olhos dele. Mas será que é só um sentir fisicamente? Será? Não. Você, o único eleito a ser o meu amor platônico, não espero envolvimento de sua parte, seria puerilidade demais. Preciso dizer que não seria eu, jamais, a O de René, nem a Jude, talvez, a Virgínia do Machado de Assis.

Caetano Veloso

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Parni Valjak - Sve jos mirise na nju


Do not ask me anything tonight let me keep quiet
I need peace tonight
Old wounds again bake my battles continue to flow, honey
You do not have nothing to do with

With the source of your my soul drunk
Thirsty your age
And now hung asks where utjehaSve Paint it Black
Aus dem Album: nicht angegeben [Album hinzufügen]

Do not ask me anything tonight let me keep quiet
I need peace tonight
Old wounds again bake my battles continue to flow, honey
You do not have nothing to do with

With the source of your my soul drunk
Thirsty your age
And now hung asks where comfort
Where is the missing youth

The days I follow, sometimes until you drop
Duso asking oblivion
Please hours to return to trace her walk
Quiet as it's there

All Paint it, and the day, and the morning was to come
After this night, the night without sleep
And two hundred years to count them in solitude
Ever since she left.

In my veins still has its poison
It is still too strong a dose
And I love you, do not go crazy
forget ...


quinta-feira, 1 de agosto de 2013




Quando tornar a vir a Primavera
Talvez já não me encontre no mundo.
Gostava agora de poder julgar que a Primavera é gente
Para poder supor que ela choraria,
Vendo que perdera o seu único amigo.
Mas a Primavera nem sequer é uma cousa:
É uma maneira de dizer.
Nem mesmo as flores tornam, ou as folhas verdes.
Há novas flores, novas folhas verdes.
Há outros dias suaves.
Nada torna, nada se repete, porque tudo é real.”

 (Alberto Caeiro)

Instantes
                                                                                                                                               Elly Ramos


De certa distância, lá estava esticada sobre o capô do velho automóvel, parado propositadamente à beira-mar, olhou preguiçosa para as ondas que batiam e voltavam a trazer suaves espumas, olhou para o senhor e duas crianças a brincar sorridentes, felizes. Fechou os olhos, largou os braços em direção à cabeça e deixou-os deslizar, dementes, a quase ficar pendurados para fora do capô vermelho e as pernas acompanhavam os movimentos, largadas ficaram totalmente feito pêndulo. Ainda com as pálpebras fechadas, movimentou a cabeça de modo indubitável, esqueceu-se de sua própria presença, entregou-se ao nada e já não sentia seus membros, era como se fosse um balão, ou uma boneca inflável e sem ar, talvez. Permaneceu assim: ao nada, sem ser nada, até uma pena de pássaro pesaria mais do que aquele corpo inerte. Ah, e se alguém a olhasse só veria, apenas, os movimentos indescritíveis das finíssimas penugens do seu copo que o vento ousava acaricia-las com o sopro frio do fim de verão, mas quem teria este olhar tão miraculoso? Não interessa, na certa seria o olhar invisível, magnífico. E, o nada se tornou escuro, escuro e escuro. Transcendeu os mundos, perduraram alguns minutos... sem sentido. Não percebeu o céu nublado, nem a pipa que o ventos rasgara no espaço, nem mesmo as gotículas miúda que chovia e molhava seu corpo imóvel, mas uma voz, uma voz ativa e amável de uma criança a trouxera à beira-mar.

sexta-feira, 24 de maio de 2013


Imagem: Pedro Rocha Nogueira 

Sonho
Elly Ramos

O lugar era escuro como a noite ou era noite, ela não sabia. Estava sentada ao seu lado outra pessoa, não a conhecia. Estavam no acostamento de uma pista movimentada. Por um instante, ao ver um ônibus, deitou o seu corpo, vagarosamente na cama negra e ainda quente, em direção à luz que ofuscava os seus olhos. Mas, recolheu rapidamente quando viu as ferragens e os grandes pneus do gigante que se aproximava. Voltou a sentar. Serenamente permaneceu a olhar a paisagem de um verde escuro que contracenava com o asfalto. Tudo mudava rapidamente. As cenas pareciam fleches, cliques acelerados de câmara fotográfica. Já não estava lá. Como o virar de uma página, voltou à casa da fazenda de seus pais onde passou toda a sua infância. Assim estava ela em cima da mesa quadrada da sala de jantar. Incrível como se equilibrava com a mesa inclinada e com os dois pés esquerdos da mesa suspensos. Como esta estava próxima da janela, a garota segurava o arame farpado que servia como varal de roupas no beiral da casa, permanecendo com a metade do corpo na parte interna e a outra metade na parte externa da casa através da janela. Os pés impulsionavam, fazendo com que balançasse para dentro e para fora. Suas mãos muito brancas a segurar firme o varal. Os olhos fixos a olhar anjo e demônio beijando-se e com os corpos inclinados quase a encostarem ao chão, pareciam estátuas de mármore: Vênus e Pã na terra dos mortais, em terreno lamacento, naquela paisagem escura no meio de sons de bichos domésticos. Logo a cena deixa o espaço, na mesma velocidade do balaço do corpo da garota entre a mesa e o arrame farpado, e o que vê agora é um rio de águas sujas que separa o passeio da casa, da mata escura e perdida em seus pensamentos. Com o olhar quase de transe, observa uma cobra a cair de uma das árvores. Ouve o som das folhas e dos caules a oscilarem com o corpo anelado que mais parecia içar voo, voo para baixo que logo alcança a terra e faz um barulho maior. Neste instante tênue, tudo parece parar por um segundo de atenção, cautela. Até a galinha levanta a cabeça e sai cocoricando assustada. A garota desce ligeira da mesa e corre em direção à porta aberta da cozinha a gritar, a gritar. Mas, parece que ninguém a ouve.  Estão todos em casa e ninguém a ouve. “Vem uma cobra em direção a casa, a mim...!!!”  Vê a cobra atravessar o rio imundo com o corpo imerso a fazer ondas naquelas águas e a mostrar apenas a cabeça. Serpenteando rapidamente o seu corpo entre pedras e lama, alcançando a porta. Avança sua mandíbula na mão esquerda da menina que momentos antes tão firmes seguravam o varal farpado. É tomada por uma grande dor e desespero. Encontra coragem não sabe de onde, para com a outra mão apunhalá-la na cabeça. A cobra contorce o corpo e, em forma de bote, abre mais a presa e mais uma picada, mais outra. A garota a apunhala mais e mais até ver o sangue da serpente escorrer e se misturar ao seu. A cabeça já mutilada, só bem visível os dentes afiados e brancos. Mesmo assim, ela grita a pedir a sua mãe um copo que estava próximo dela sobre a mesa, em seu desespero continuamente de livra-se daquele bicho asqueroso. Em certo momento, sai dali com a mão machucada, achando possível o seu fim. Andando, parecendo arrastar o seu corpo, atravessa a sala e vai até um dos quartos. Aquele perto do banheiro. E cai no piso de tijolos crus, próximo à cama. Não sabe como se levantou. Dirigiu-se ao outro quarto onde encontra sua mãe saindo de dentro do quarto que era seu, e o seu pai, meio agitado a consertar a bermuda um pouco grande para o seu corpo magro. Há anos morrera. Estava ali sorrindo, ajeitando-se. Ambos felizes. Parecia que acabavam de fazer sexo e estavam satisfeitos. Mas no quarto havia água, como se houvesse uma ducha que esqueceram de desligar. Tudo transmudava rapidamente em seu sonho. Ao acordar, depara-se com o seu cotidiano, também miserável.