terça-feira, 13 de agosto de 2013

Parni Valjak - Sve jos mirise na nju


Do not ask me anything tonight let me keep quiet
I need peace tonight
Old wounds again bake my battles continue to flow, honey
You do not have nothing to do with

With the source of your my soul drunk
Thirsty your age
And now hung asks where utjehaSve Paint it Black
Aus dem Album: nicht angegeben [Album hinzufügen]

Do not ask me anything tonight let me keep quiet
I need peace tonight
Old wounds again bake my battles continue to flow, honey
You do not have nothing to do with

With the source of your my soul drunk
Thirsty your age
And now hung asks where comfort
Where is the missing youth

The days I follow, sometimes until you drop
Duso asking oblivion
Please hours to return to trace her walk
Quiet as it's there

All Paint it, and the day, and the morning was to come
After this night, the night without sleep
And two hundred years to count them in solitude
Ever since she left.

In my veins still has its poison
It is still too strong a dose
And I love you, do not go crazy
forget ...


quinta-feira, 1 de agosto de 2013




Quando tornar a vir a Primavera
Talvez já não me encontre no mundo.
Gostava agora de poder julgar que a Primavera é gente
Para poder supor que ela choraria,
Vendo que perdera o seu único amigo.
Mas a Primavera nem sequer é uma cousa:
É uma maneira de dizer.
Nem mesmo as flores tornam, ou as folhas verdes.
Há novas flores, novas folhas verdes.
Há outros dias suaves.
Nada torna, nada se repete, porque tudo é real.”

 (Alberto Caeiro)

Instantes
                                                                                                                                               Elly Ramos


De certa distância, lá estava esticada sobre o capô do velho automóvel, parado propositadamente à beira-mar, olhou preguiçosa para as ondas que batiam e voltavam a trazer suaves espumas, olhou para o senhor e duas crianças a brincar sorridentes, felizes. Fechou os olhos, largou os braços em direção à cabeça e deixou-os deslizar, dementes, a quase ficar pendurados para fora do capô vermelho e as pernas acompanhavam os movimentos, largadas ficaram totalmente feito pêndulo. Ainda com as pálpebras fechadas, movimentou a cabeça de modo indubitável, esqueceu-se de sua própria presença, entregou-se ao nada e já não sentia seus membros, era como se fosse um balão, ou uma boneca inflável e sem ar, talvez. Permaneceu assim: ao nada, sem ser nada, até uma pena de pássaro pesaria mais do que aquele corpo inerte. Ah, e se alguém a olhasse só veria, apenas, os movimentos indescritíveis das finíssimas penugens do seu copo que o vento ousava acaricia-las com o sopro frio do fim de verão, mas quem teria este olhar tão miraculoso? Não interessa, na certa seria o olhar invisível, magnífico. E, o nada se tornou escuro, escuro e escuro. Transcendeu os mundos, perduraram alguns minutos... sem sentido. Não percebeu o céu nublado, nem a pipa que o ventos rasgara no espaço, nem mesmo as gotículas miúda que chovia e molhava seu corpo imóvel, mas uma voz, uma voz ativa e amável de uma criança a trouxera à beira-mar.

sexta-feira, 24 de maio de 2013


Imagem: Pedro Rocha Nogueira 

Sonho
Elly Ramos

O lugar era escuro como a noite ou era noite, ela não sabia. Estava sentada ao seu lado outra pessoa, não a conhecia. Estavam no acostamento de uma pista movimentada. Por um instante, ao ver um ônibus, deitou o seu corpo, vagarosamente na cama negra e ainda quente, em direção à luz que ofuscava os seus olhos. Mas, recolheu rapidamente quando viu as ferragens e os grandes pneus do gigante que se aproximava. Voltou a sentar. Serenamente permaneceu a olhar a paisagem de um verde escuro que contracenava com o asfalto. Tudo mudava rapidamente. As cenas pareciam fleches, cliques acelerados de câmara fotográfica. Já não estava lá. Como o virar de uma página, voltou à casa da fazenda de seus pais onde passou toda a sua infância. Assim estava ela em cima da mesa quadrada da sala de jantar. Incrível como se equilibrava com a mesa inclinada e com os dois pés esquerdos da mesa suspensos. Como esta estava próxima da janela, a garota segurava o arame farpado que servia como varal de roupas no beiral da casa, permanecendo com a metade do corpo na parte interna e a outra metade na parte externa da casa através da janela. Os pés impulsionavam, fazendo com que balançasse para dentro e para fora. Suas mãos muito brancas a segurar firme o varal. Os olhos fixos a olhar anjo e demônio beijando-se e com os corpos inclinados quase a encostarem ao chão, pareciam estátuas de mármore: Vênus e Pã na terra dos mortais, em terreno lamacento, naquela paisagem escura no meio de sons de bichos domésticos. Logo a cena deixa o espaço, na mesma velocidade do balaço do corpo da garota entre a mesa e o arrame farpado, e o que vê agora é um rio de águas sujas que separa o passeio da casa, da mata escura e perdida em seus pensamentos. Com o olhar quase de transe, observa uma cobra a cair de uma das árvores. Ouve o som das folhas e dos caules a oscilarem com o corpo anelado que mais parecia içar voo, voo para baixo que logo alcança a terra e faz um barulho maior. Neste instante tênue, tudo parece parar por um segundo de atenção, cautela. Até a galinha levanta a cabeça e sai cocoricando assustada. A garota desce ligeira da mesa e corre em direção à porta aberta da cozinha a gritar, a gritar. Mas, parece que ninguém a ouve.  Estão todos em casa e ninguém a ouve. “Vem uma cobra em direção a casa, a mim...!!!”  Vê a cobra atravessar o rio imundo com o corpo imerso a fazer ondas naquelas águas e a mostrar apenas a cabeça. Serpenteando rapidamente o seu corpo entre pedras e lama, alcançando a porta. Avança sua mandíbula na mão esquerda da menina que momentos antes tão firmes seguravam o varal farpado. É tomada por uma grande dor e desespero. Encontra coragem não sabe de onde, para com a outra mão apunhalá-la na cabeça. A cobra contorce o corpo e, em forma de bote, abre mais a presa e mais uma picada, mais outra. A garota a apunhala mais e mais até ver o sangue da serpente escorrer e se misturar ao seu. A cabeça já mutilada, só bem visível os dentes afiados e brancos. Mesmo assim, ela grita a pedir a sua mãe um copo que estava próximo dela sobre a mesa, em seu desespero continuamente de livra-se daquele bicho asqueroso. Em certo momento, sai dali com a mão machucada, achando possível o seu fim. Andando, parecendo arrastar o seu corpo, atravessa a sala e vai até um dos quartos. Aquele perto do banheiro. E cai no piso de tijolos crus, próximo à cama. Não sabe como se levantou. Dirigiu-se ao outro quarto onde encontra sua mãe saindo de dentro do quarto que era seu, e o seu pai, meio agitado a consertar a bermuda um pouco grande para o seu corpo magro. Há anos morrera. Estava ali sorrindo, ajeitando-se. Ambos felizes. Parecia que acabavam de fazer sexo e estavam satisfeitos. Mas no quarto havia água, como se houvesse uma ducha que esqueceram de desligar. Tudo transmudava rapidamente em seu sonho. Ao acordar, depara-se com o seu cotidiano, também miserável. 

quarta-feira, 6 de março de 2013



                                         Elly Ramos
O hóspede 

Chegou calado com uma pasta negra no peito, apertada entre os braços. Pediu a chave do quarto 413 para a recepcionista. Ela o olhou ao entregar-lhe a chave, ele nem percebeu, saiu rápido com passos firmes e de cabeça ereta a resmungar palavras inaudíveis. Deu preferência à escada, abolindo assim, o elevador. Abriu a porta do 413, entrou sem olhar para o interior do quarto e sem desgrudar da pasta, sentou-se na cadeira ao lado da cama, juntou as pernas uma na outra apertando-as  até sentir dor... Afastou-as e sorriu. Levantou-se, olhou ao redou, colocou a pasta em cima da cama, foi até a janela, viu a noite movimentada, luzes oscilando: faróis, postes e toda a vida urbana; pessoas que não paravam de andar. Olhou para o pulso, o relógio marcava 22:31 horas. O celular vibra em um dos bolsos da calça. Falou para si: “não vou atender” deixou chamar até parar. Olha a pasta preta em cima da cama e ao aproxima-se, esfregou uma mão na outra, sorriu e foi ao banheiro. Olha-se ao espelho, vê o seu cabelo grisalho, algumas rugas no rosto e nos olhos a inquietude que a vida o proporcionou. Lavou o rosto e voltou. Olhou a pasta mais uma vez, sentou-se na cama resolvido a abri-la. Ao tocar no fecho, seus dedos estão trêmulos. Ele abre e tira o terço e começou a desfiar conta por conta entre os dedos. Os lábios se moviam rapidamente em murmúrio como se o contar retrocedesse o tempo. Viu-se ainda menino, andando atrás de uma garotinha saindo. Viu sua primeira transa. Viu toda sua vida entre os dedos ágeis e as contas. Automaticamente desabotoou a camisa e pôs-se a esfregar o terço em seu peito, por todo o seu corpo, correu por dentro das calças e quase a machucar-se. Sorriu com um olhar prazeroso. Sorriu, fechou os olhos absorvido pelo êxtase. Virou-se e no rosto másculo os lábios finos convulsos, moviam-se de dor, mas engoliu o  líquido salgado  provocado pelo prazer. Soltou o terço, foi ao banheiro, ligou a ducha fria e ficou parado a deixar, em abundância, a água percorrer por todo o seu corpo. Era quase manhã. O sol já despontava na janela. Pensou: “Há seis anos a quero com desespero e nunca fui correspondido, e nem podia ser. Estava linda naquele vestido e no decote o brilho dourado.” Mas no início da noite anterior, casou-se com o Pedro, o seu único filho. Assistiu a cerimônia religiosa. Não teve coragem de vê-los brindar. Lembrou-se daquela noite em que viu os corpos nus entrelaçados em sua própria cama. Olhou-os da porta que haviam deixado entre aberta. “Sussurrou: Maria, Maria, Maria...” Pegou a toalha e enrolou-a na cintura. Voltou para o quarto, olhou o terço e pensou “divinos e mortos são os que amam. Loucos os que desejam demais.” Vestiu-se e colocou o terço de volta. Sentiu fome e ligou para o serviço de quarto. A pasta estava aberta sobre a cama entre os lençóis. Ele olha para ela, um olhar carinhoso. Passa a mão no rosto e sente a barba mal feita, precisa corrigir isso. Entra no banheiro e procura na gaveta a lâmina. Estava tão absorvido que não ouviu a batida. Ao virar em direção à porta, a lâmina fere seu rosto. Vem à sua lembrança o sangue que escorria do joelho dela. Sempre a via no parque, quando fazia caminhadas. Naquele dia ela caíra da bicicleta e ele se aproximou para socorrê-la. Ao inclinar-se para ela, seus olhos foram atraídos.... Ele abre a porta, mal-humorado. A camareira entra com seu café. Nesse momento percebe a mala e lança para ela um olhar curioso, o que o deixa irritado. Deseja puxá-la pelo braço e apressar sua saída, mas o celular volta a tocar neste instante e tira sua atenção. Não atende. A presença dela o incomoda. A moça deixa a bandeja na mesinha ao lado da cama e ao inclinar-se pende do seu colo o brilho. Ele se apressa em detê-la, mas ela já vai saindo pela porta. Sua respiração ofegante e seu olhar fixo... Ele fecha porta e com a testa encostada nela transpira. Enquanto a pasta preta, aberta em cima da cama, guarda sua preciosa coleção: correntinhas com crucifixos e terços.
   

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Charles Baudelaire



Quer saber por que a odeio hoje? Sem dúvida lhe será menos fácil compreendê-lo do que a mim explicá-lo; pois acho que você é o mais belo exemplo da impermeabilidade feminina que se possa encontrar.Tínhamos passado juntos um longo dia, que a mim me pareceu curto. Tínhamos nos prometido que todos os nossos pensamentos seriam comuns, que nossas almas, daqui por diante, seriam uma só; sonho que nada tem de original, no fim das contas, salvo o fato de que, se os homens o sonharam, nenhum o realizou.De noite, um pouco cansada, você quis se sentar num café novo na esquina de um bulevar novo, todo sujo ainda de entulho e já mostrando gloriosamente seus esplendores inacabados. O café resplandecia. O próprio gás disseminava ali todo o ardor de uma estréia e iluminava com todas as suas forças as paredes ofuscantes de brancura, as superfícies faiscantes dos espelhos, os ouros das madeiras e cornijas, os pajens de caras rechonchudas puxados por coleiras de cães, as damas rindo para o falcão em suas mãos, as ninfas e deusas portando frutos na cabeça, os patês e a caça, as Hebes e os Ganimedes estendendo a pequena ânfora de bavarezas, o obelisco bicolor dos sorvetes matizados; toda a história e toda a mitologia a serviço da comilança.Plantado diante de nós, na calçada, um bravo homem dos seus quarenta anos, de rosto cansado, barba grisalha, trazia pela mão um menino e no outro braço um pequeno ser ainda muito frágil para andar. Ele desempenhava o ofício de empregada e levava as crianças para tomarem o ar da tarde. Todos em farrapos. Estes três rostos eram extraordinariamente sérios e os seis olhos contemplavam fixamente o novo café com idêntica admiração, mas diversamente nuançada pela idade.Os olhos do pai diziam: "Como é bonito! Como é bonito! Parece que todo o ouro do pobre mundo veio parar nessas paredes." Os olhos do menino: "Como é bonito, como é bonito, mas é uma casa onde só entra gente que não é como nós." Quanto aos olhos do menor, estavam fascinados demais para exprimir outra coisa que não uma alegria estúpida e profunda.Dizem os cancionistas que o prazer torna a alma boa e amolece o coração. Não somente essa família de olhos me enternecia, mas ainda me sentia um tanto envergonhado de nossas garrafas e copos, maiores que nossa sede. Voltei os olhos para os seus, querido amor, para ler neles meu pensamento; mergulhava em seus olhos tão belos e tão estranhamente doces, nos seus olhos verdes habitados pelo Capricho e inspirados pela Lua, quando você me disse: "Essa gente é insuportável, com seus olhos abertos como portas de cocheira! Não poderia pedir ao maître para os tirar daqui?"Como é difícil nos entendermos, querido anjo, e o quanto o pensamento é incomunicável, mesmo entre pessoas que se amam!